
Nesta quinta-feira (11), a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) realizou, em sua sede, em Brasília, o lançamento da quinta edição da cartilha “Mulheres que Constroem o Varejo”. A publicação deste ano traz como tema “Mulheres na era cognitiva: usando a inteligência artificial para crescer”.
O projeto é fruto de uma parceria entre a CNDL, a CDL Mulher e a Procuradoria Especial da Mulher do Senado Federal, e tem como objetivo estimular o protagonismo feminino no empreendedorismo e ampliar o acesso das mulheres a ferramentas e conhecimentos ligados à inovação.
O evento foi conduzido pela coordenadora de RIG da CNDL, Karoline Lima e, durante a abertura, contou com a participação da coordenadora nacional da CDL Mulher, Lúcia Leijoto, e pelo presidente da CNDL, José César da Costa. O lançamento reuniu lideranças empresariais, representantes do setor público e empreendedoras do varejo.
Entre os presentes estavam a deputada federal Adriana Ventura, vice-presidente da Comissão de Inteligência Artificial da Câmara dos Deputados; o presidente da CDL-DF, Eduardo Pereira Rodrigues Neto; o presidente da Federação Varejista do Rio Grande do Sul, Ivonei Pioner, além da presidente da CDL de Porto Velho, Joana Joanora das Neves; Victória Luz, especialista em IA; e representantes de instituições financeiras e entidades empresariais.
Inteligência artificial e transformação do trabalho
Para Lúcia Leijoto, a nova edição da cartilha busca ampliar o debate sobre inovação e reconhecer o papel das mulheres na construção de um varejo mais moderno e competitivo. “Mais do que uma data simbólica, este é um convite para reconhecer a força, a inteligência e a capacidade transformadora das mulheres na sociedade, nas empresas e no varejo brasileiro”, destacou.
Segundo ela, a chamada era cognitiva representa uma mudança estrutural na forma como empresas e profissionais geram valor. “Hoje vivemos um tempo em que o maior patrimônio das organizações não está apenas no capital financeiro ou nas estruturas, mas na capacidade de pensar, aprender, interpretar o mundo e inovar”, afirmou.
De acordo com a dirigente, muitas mulheres empreendedoras trazem para os negócios uma visão que combina gestão, sensibilidade, colaboração e propósito, características que se tornam ainda mais relevantes no atual cenário econômico.
Protagonismo feminino na nova economia
Durante a abertura, José César da Costa destacou a relevância do empreendedorismo feminino no país e a necessidade de ampliar o acesso das mulheres às novas tecnologias. Segundo ele, o Brasil conta atualmente com mais de 10 milhões de mulheres empreendedoras, responsáveis por cerca de 46% dos negócios formais no país.
“Isso não é apenas uma estatística. É uma potência econômica que sustenta milhões de famílias, gera empregos e movimenta o PIB brasileiro com uma resiliência única”, afirmou.
Para o presidente da entidade, a transformação digital e o avanço da inteligência artificial tornam ainda mais importante a participação ativa das mulheres nesse processo. “É fundamental que as mulheres empreendedoras estejam no centro dessa transformação. Precisamos de vocês para liderar esse movimento de inovação no varejo e na economia brasileira”, disse.
Desafio da inclusão feminina na tecnologia
Durante o evento, a especialista em inteligência artificial Victória Luz ressaltou que o avanço da tecnologia também traz desafios importantes relacionados à inclusão feminina nos setores de inovação. Segundo ela, estudos indicam que mulheres ainda estão sub-representadas nas áreas de tecnologia, além de apresentarem um ritmo de adoção de ferramentas de inteligência artificial inferior ao dos homens.
“Esse material representa muito mais do que uma publicação. Ele simboliza um esforço coletivo para preparar o empreendedorismo feminino para os novos desafios e oportunidades da economia digital”, afirmou. Para a especialista, a inteligência artificial está redesenhando a forma como empresas trabalham, produzem e tomam decisões.
Já a deputada Adriana Ventura, que também é empreendedora, e tem trabalhado na Câmara dos Deputados na condução dos debates com os mais diversos setores para a regulamentação da Inteligência Artificial no Brasil, citou a importância do material para os dias atuais.
“O conteúdo produzido pela CNDL sobre o uso das ferramentas de IA no empreendedorismo feminino é inovador e contribui para apoiar mulheres de todo país nessa transição acelerada do ambiente de negócios analógico para o digital impulsionando a automatização de processos e o uso crescente de dados”, destacou a parlamentar.
Debate sobre inovação no varejo
A programação também contou com um bate-papo mediado pela especialista em finanças da CNDL, Merula Borges, que reuniu empresárias para discutir experiências práticas sobre o uso de tecnologia no empreendedorismo.
Entre as convidadas estavam Lúcia Fassarella, integrante da CDL Jovem e sócia da P.move, empresa voltada para tecnologia e presença digital, e Ana Paula Braga, empresária à frente da marca de acessórios Morana.
Durante a conversa, Lúcia destacou que a inteligência artificial tem se tornado uma ferramenta importante para otimizar rotinas e apoiar a tomada de decisões no dia a dia dos negócios. “Hoje a inteligência artificial funciona quase como um segundo cérebro. Ela ajuda a organizar informações, acelerar processos e facilitar decisões”, afirmou.
Segundo ela, a tecnologia deve ser encarada como uma aliada e não como algo distante da realidade dos empreendedores. “Quando a gente entende que a tecnologia é um facilitador, e não um obstáculo, o aprendizado acontece de forma muito mais rápida”, explicou.
Para Ana Paula Braga, a evolução da inteligência artificial também abre espaço para que as mulheres ampliem sua presença no universo tecnológico. “Historicamente existiu um distanciamento maior entre mulheres e tecnologia. Mas a inteligência artificial é uma ferramenta democrática e abre uma oportunidade para que a gente alcance, e até ultrapasse, essa diferença”, afirmou.
A cartilha já está disponível para download no site da CNDL (baixe agora).
Fonte: Site da CNDL